Sabedoria é crime? Perguntou Ozar para mim. Claro que pode ser. Da mesma forma que tudo é político. Sabedoria é um ato político. Amar é um político. Sentir e sofrer é um ato político. As decisões de cada dia, de cada instante, fazem crer que o mistério do acontecido só se acentua. Parar e pensar cinquenta vezes é redundância, mas pensar só duas é uma maneira de ser sábio. Essas músicas do Interpol realmente embalam um domingo chuvoso. É tão difícil pensar, sentir, transcender, desbloquear. Cada dia que envelheço aumentam as barreiras. Fica pior pra me mover. Atado, ataviado, atravessado. Está tudo atravessado na garganta. Vontade de não fazer nada por nada com nada. E aí? Vai ser um velhote deprimido? Que coisa patética. Há tantas coisas pra fazer, e nada agrada. Nada serve. É um verme que corrói dentro. Ele fica quietinho comendo. Vou pegar um avião e sumir pra essas bandas por aí. Quanta dificuldade para acreditar. O que quero é crer. Mas não há algo. Não há norte. Não há ligação possível. Não parece haver saída, nem beco, nem fim, só há o que não há. Só é o que não é. Só faz o que desfaz. Só pratica o que transgride. Não há mais o que transgredir. Só a carne. Cortar a carne e sentir a dor. A verdade da dor não nega. Não tem vergonha. Não padece. Não desiste face às lágrimas. A dor só doi, só sabe doer e doer e doer. Sem fim. Sem começo. Sem meio. Sem talvez. Sem depois. Sem por que.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
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