O vento que sopra traz o mundo cheio de calos e vontade de dizer mil coisas, todas juntas, perfiladas em posição de sentido. As coisas a serem ditas não se misturam às coisas a não serem ditas. Elas sabem verdadeiramente seu papel, seu lugar específico na massa cinzenta. Elas destroem, machucam e se debruçam sobre a realidade como dedos lambuzados de caramelo de maçã do amor. Já as coisas a não serem ditas abrem um buraco. Esvaziam o vazio impenetrável. A falta de ar é tremenda. O silêncio e o escuro causados por esse não dizer das coisas a não serem ditas amordaçam. Sufoco, fogo na floresta. Passos largos fogem de si mesmo. Fujo dele também. Todos correm. O tempo urge para que o dito troque de lugar com o não-dito. Erros cometidos por inconsequência desfazem a vontade de viver. O desejo fica restrito ao seu limite mínimo suportável.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
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